Cris Dissat

Diário de uma jornalista

Coletiva: Parece Simples? Mas Não É…

A estrutura de uma coletiva, onde envolve o contato direto com a imprensa parece – eu disse, parece – ser simples e fácil de montar. Porém na hora H descobre-se que a situação era bem diferente. Antes de mais nada, existem coletivas e coletivas. Algumas os assessores têm certeza que darão ibope e isso não ocorre. Já outras…

Uma posse de nova presidente de um clube de futebol. Simples… se não fosse o Flamengo, se não tivesse sido Hexacampeão, se não estivesse vivendo momento de renovação do técnico. Além disso, o Campeonato Brasileiro acabou e futebol, mesmo, só em 2010. Mas os jornais continuam e é preciso ter notícia para atrair o leitor.

Ontem, dia 21 de dezembro, foi a posse da Patrícia Amorim, como nova presidente do Flamengo. Convites para imprensa, ótima recepção no clube, local para estacionar, nenhum impedimento na entrada e no salão, e, onde ocorreria a cerimônia, uma mesa e área para a imprensa. Até aí tudo certinho, mas algumas questões precisam ser levadas em conta. Os jornalistas ficaram no fundo da sala – com um ótimo espaço para trabalhar -, mas os fotógrafos e cinegrafistas sofreram. Quem apura, pode ficar sentado, ouvindo e anotando – aliás é preciso fazer isso. Já os fotógrafos e cinegrafistas precisam do registro… ou cabeças rolam quando voltam pra redação. Os seguranças não autorizavam a passagem e na hora da assinatura do documento, o responsável pelo comando da cerimônia pediu aos convidados que se levantassem, em respeito ao fato.

Pronto… a galera se desesperou lá atrás. Se já estava difícil trabalhar… não foi possível registrar a assinatura com tantas cabeças na frente. Vi, repórter dizer que ia embora. “O que estou fazendo aqui!” – um pouco de exagero, certo, mas foi difícil mesmo. O errado foi o planejamento. Bastava ter colocado fotógrafos e cinegrafistas nas laterais na frente e os jornalistas poderiam ficar lá atrás.

Depois anunciaram uma coletiva, mas era óbvio que isso seria impossível. Isolar a Patrícia Amorim em um momento como aquele para dar entrevista seria uma tarefa complicadíssima. O resultado foi uma confusão generalizada na varanda da sede do Flamengo, com dezenas de microfones em cima da nova presidente. Ela foi gentil – até onde consegui enxergar (afinal, mesmo de salto, minha altura não ajuda muito) – com todos e ficou encostada na varanda, porque não dava para andar mais para trás.

A experiência valeu como uma previsão do que deve ser feito mais adiante. Uma mulher à frente de um dos maiores clubes do país sempre dará muito ibope e é preciso planejar. É importante lembrar também que todo mundo transmite informação na mesma hora, por isso a mesa (que foi disponibilizada) também é essencial. Momento de euforia e lição para a próxima vez.

E não daria para perder a oportunidade… de algumas fotos: eu com o Andrade (técnico do Flamengo), com o Arthur Mulemberg (@urublog e colunista do Globo Online) e o amigo do Twitter Michel Helal (todas com meu celular).

23/12/2009 Publicado por | artigos, Futebol | , , | Deixe um comentário

Flamengo Campeão: Agora Caiu a Ficha

Difícil descrever como foi a semana que antecedeu ao último jogo do Brasileirão 2009. Tensão indescritível. Preocupação com torcedores na fila; desespero vendo como todo mundo fazia qualquer coisa para conseguir ingresso; centenas de pessoas falando sobre o mesmo assunto; e o pânico em não saber o que iria acontecer. Como desejei ter uma bola de cristal, para que pudesse ter um pouco de sossego.

No domingo de manhã fui para a rua acompanhar a chegada dos torcedores. Não encontrava nenhuma saída que pudesse me acalmar para fazer a cobertura do jogo. Chá de camomila? Suco de maracujá? Calmante? Nada adiantava. Entrei e saí de casa umas cinco vezes, filmando e registrando o que conseguia. Era um clima que misturava alegria e ansiedade. Fogos sem parar, mais gente a cada minuto. Os acessos às arquibancadas e cadeiras azuis ficavam impraticáveis conforme o tempo passava. Tentei avisar a vários torcedores nas longas filas que trocassem o Bellini pela UERJ, mas a superstição falava mais alto.

Depois de voltas nos arredores não dava mais para andar. Até o acesso da Tribuna de Imprensa começava a ficar complicado. Era hora de entrar no Maracanã. Não dava mais para esperar… não conseguiria ajudar os rubro-negros… acho que era eu é que precisava de ajuda.

A entrada dos jornalistas estava lotada. Muitos profissionais, vindos de todos os lugares, tentavam se acomodar para trabalhar durante os intermináveis 90 minutos de jogo. Fui direto para a parte externa, sabia que a torcida iria fazer um show na hora da entrada do time. Filmadora e celular na mão, intercalando, porque iria mandar de lá mesmo para publicar no Fim de Jogo. Foi um show lindo, mas quem disse que isso acalmava. Depois era hora de ir para a “bolha” trabalhar, mas em pé. Não havia lugar suficiente para todos. Escrevi o tempo todo assim, mas acho que não conseguiria de outro jeito.

Foi difícil trabalhar. As mãos tremiam na hora de digitar. Pelo twitter não dava para disfarçar que os nervos estavam além da conta. Quando o Grêmio fez o primeiro gol, não acreditei. Isso não podia estar acontecendo. Nem o gol de empate me acalmou. O Flamengo atacava e não conseguia. Prometi: se fizer o segundo, não vibro, prometo, mas tem que acontecer…. Logo depois ele veio e foi quase impossível cumprir a promessa, mas lembrei a tempo e dei um soco na mesa. Os torcedores estavam enlouquecidos com o segundo gol em uma vibração contagiante. A tribuna de imprensa balançava tanto que precisei segurar a tela do notebook.

Não consegui olhar os minutos finais… que nunca acabavam…mas o juiz apitou. Toneladas saíram das costas. Os jornalistas se esqueceram da imparcialidade e se abraçaram, comemorando. Fechei o notebook correndo e fui para fora ver a vibração daquela torcida, que sofreu tanto.

Os telefones não funcionavam… ninguém conseguia falar com ninguém. De repente, encontro o Alexandre Moraes, do Gease-Fla, e foi um abraço de desabafo, de exaustão, de alegria… Tinha acabado… conseguimos… o Flamengo era Campeão Brasileiro de 2009.

E… por volta da uma da manhã… publiquei um video no Videolog – Flamengo Campeão Brasileiro 2009

Este vídeo requer o Adobe Flash para reprodução.

10/12/2009 Publicado por | Fim de Jogo, Futebol | , , | Deixe um comentário